Shelley e a mãe foram maltratadas a vida inteira. Elas têm consciência disso, mas não sabem reagir — são como ratos, estão sempre entocadas e coagidas. Shelley, vítima de um longo período de bullying que culminou em um violento atentado, não frequenta a escola. Esteve perto da morte, e as cicatrizes em seu rosto a lembram disso. Ainda se refazendo do ataque e se recuperando do humilhante divórcio dos pais, ela e a mãe vivem refugiadas em um chalé afastado da cidade. Confiantes de que o pesadelo acabou elas enfim se sentem confortáveis, entre livros, instrumentos musicais e canecas de chocolate quente junto à lareira. Mas, na noite em que Shelley completa dezesseis anos, um estranho invade a tranquilidade das duas e um sentimento é despertado na menina. Os acontecimentos que se seguem instauram o caos em tudo o que pensam e sentem em relação a elas mesmas e ao mundo que sempre as castigou. Até mesmo os ratos têm um limite.

ISBN-13: 9788580570700
ISBN-10: 8580570700
Ano: 2011 
Páginas: 240
Editora: Intrínseca
Classificação:






Essa resenha será bem diferente, sabe porquê? porque a sinopse meio que já entrega quase tudo. Sempre tive vontade de ler esse livro, por dois motivos: O preço e o título. Nunca deu certo comprá-lo, mas por sorte ganhei ele em um sorteio, assim que eu recebi fiquei surpresa com a capa, ele tem um design bem diferente. Mesmo vivendo em um momento onde nenhuma leitura estava prendendo a minha atenção, ele conseguiu me conquistar.

Não só o enredo, mas também os próprios personagens: Shelley e sua mãe. Shelley é uma garota calma, estudiosa e amável, no entanto, prefere se esconder dos problemas do que encará-los, prefere ficar calada do que gritar, seu próprio pai dizia que ela havia herdado essa personalidade de sua mãe, uma advogada que só tinha coragem nos tribunais, mas na vida real tinha um sangue de barata. 

Shelley foi uma criança tímida e certinha, sempre atenciosa nos estudos e com a chegada da adolescência, mesmo vendo suas melhores amigas aflorarem, preservou seu lado quase infantil, ou melhor, não mudou nada apenas cresceu. Já suas melhores amigas se transformaram, em típicas adolescentes rebeldes e malvadas. Quando Shelley percebeu que não era mais bem vinda no "grupo" já era tarde demais...

Suas melhores amigas, se tornaram suas piores inimigas, Shelley passou a sofrer de bullying, ou seja, todos os dias na escola ela sofria agressões tanto verbais como físicas por parte de suas ex-amigas. O que ela fazia? nada, apenas tentava se esconder. Em quando sofria bullying na escola, em casa tentava ao máximo esconder de sua mãe o que estava acontecendo. Para piorar o bullying não era o único problema, a separação de seus pais, e a frieza com que era tratada por seu pai  após ela decidir que iria morar com a mãe dela, tornavam sua vida 2x pior.

Porém, o pior ainda nem tinha começando...Suas ex-amigas preparam uma emboscada dentro do banheiro feminino as ex-amigas atearam fogo no cabelo de Shelley, não só seu cabelo foi queimado como parte do seu rosto. Por pouco não aconteceu o pior. Por toda a violência que sofreu, Shelley resolve não ir mais para a escola. Sua mãe então resolveu se mudar para um lugar tranquilo, onde não tivessem lembranças ruins tanto para ela, quanto para sua filha.

Encontraram uma casa no interior, perfeita para as duas recomeçar suas vidas. Pouco a pouco a rotina voltava ao normal. Shelley tinha aulas particulares e não precisava mais enfrentar a escola, principalmente agora que suas ex-amigas foram descobertas. Porém, na madrugada do seu aniversário de 16 anos, sua casa é invadida por um ladrão. Vê-lo entrar em sua casa, bater em sua mãe e sair com o laptop que sua mãe trabalhou tanto para compra-lo,e ainda lembrar do bullying que sofreu despertou uma Shelley que ela não conhecia. De rato ela passou a ser uma tigresa e aquele ladrão era a sua presa...





Depois de tantas resenhas nacionais, eis um livro de literatura estrangeira! Ratos, é um livro diferente de tudo que já li (até porque a maioria dos livros que leio é romance) Juro, que pensei que o enredo seria sobre ratos (por causa do nome) sinceramente eu nunca havia lido a sinopse dele, sempre olhava o preço, quando ganhei não li a sinopse, comecei foi a ler. Gente do céu! O enredo não era nada do que eu tinha pensando... 

Fiquei totalmente surpresa com o conteúdo, com a forma que o autor escreve ( lembrando que é o primeiro livro que leio do autor) e com o sentimento que despertava em mim a cada página que eu lia. Shelley é aquele tipo de personagem que inicialmente o leitor tenta esganá-la, falo por mim, por que vê-la sofrendo calada, só porque as aprendizes de valentonas eram no passado suas amigas, me deu uma raiva... que juro por Deus se uma daquelas meninas cruzassem o meu caminho, eu não responderia por mim!

E a mãe dela? testou minha paciência, da onde eu iria deixar que aquelas meninas saíssem impunes? principalmente quando eu era uma advogada? 

O livro não fala sobre ratos, ou melhor, não fala sobre os "pequeninos" e sim de pessoas que tem personalidade de ratos, como Shelley e sua mãe que preferem se esconder dos problemas ou empurrar com a barrigada em vez de encara-los. Fala de pessoas que se contentam com tudo, pessoas que não vivem, sobrevivem, assim como os ratos que vivem em boeiros assustados que apenas sobrevivem, no entanto, ratos são astutos, inteligentes, estratégicos e quando estão em perigo se não der para fugir lutam com unhas e dentes!

É basicamente isso que vai acontecer, Shelley e sua mãe inicialmente são medrosas, preferem correr do que enfrentar um problema. Mas, depois que o ladrão cruza o caminho delas algo acontece, elas amadurecem suas personalidades. O livro me surpreendeu muito, assim como as personagens. De um livro que aborda sobre bullying, problemas familiares e a relação de mãe e filha, passa a ser uma trama psicológica, mostrando que ninguém é indefeso, que qualquer um de nós no auge da nossa fúria podemos: Atacar, matar friamente. Nenhum animal é indefeso até mesmo os ratos!

Goordon Reece, conquistou uma fã. Sua forma de escrever é surreal, claro que em certos pontos a leitura meio que me desanimou, no entanto, logo depois minha vontade de consumir a estória voltava com todo o gás.

A editora Intrínseca estar de parabéns, não conseguir ver nenhum erro de digitação e a diagramação estava excelente, a dinâmica da capa é bem legal e não foge do tema.





Um Comentário

  1. Oi, Wanderléa!

    Adorei sua resenha! Incrível o modo como você relatou a personalidade dos personagens.
    Parabéns pela crítica! :)

    Participe do sorteio #outubrorosa no Irmãos Livreiros

    Beijos!
    Danny

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