Resenha: Artemísia, Habitante do cosmos - Francélia Pereira


A história se passa em um futuro muito distante. Artemísia nasceu em Vênus, em uma sociedade patriarcal extremamente machista e, por isso, viviam isolados, pois as questões que envolvem o gênero e a sexualidade já haviam sido superadas pelo resto da humanidade.
Após fatos que marcaram a infância de Artemísia, ela se vê sozinha no Sistema Apolo e acaba se tornando uma guerreira mercenária que vive várias aventuras e várias tragédias, e nesse contexto ela tenta encontrar uma razão para sua existência.
No livro você encontrará aventuras, ação, fantasia, filosofia, romance, mitologia, enfim, é uma obra muito rica e que apresenta questões subjetivas, que tem o objetivo de convidar o leitor a refletir sobre os rumos que nossas vidas tomam no nosso dia a dia. É uma obra de ficção, mas que tem a pretensão de tocar o leitor, de alguma forma.

Autora: Francélia Pereira
Páginas: 180
Gênero:  Ficção Científica
Classificação:




Olá sonhadores,

Antes de vocês embarcarem nessa viagem, gostaria de informá-los que essa é a primeira resenha do meu querido amigo Elieton, o novo colaborador do blog. Que essa seja a primeira de muitas!




Definindo o livro em poucas palavras, eu usaria o termo “desconstrução total”. Quando for ler esta obra, e você deve ler esta obra, desapegue-se de qualquer padrão que estiver acostumado.

Em Habitantes do Cosmos, uma trama bem amarrada e envolvente cujas referências surgem a partir de uma verdadeira e notável mistura de mitos e culturas, somos apresentados a um futuro no qual a humanidade atingiu um nível gigantesco de expansão espacial, mudando-se para outros planetas e construindo sociedades pelo universo (avanços conquistados nem sempre de forma digna ou respeitosa para com a natureza). 

Nessa realidade futurística, preconceitos como a discriminação por gênero, raça ou sexualidade caíram por terra. Porém, há o Clã, um grupo de humanos que conservam a todo custo ideais primitivos, principalmente sobre a dominância do homem em relação à mulher. O nível de conservadorismo do Clã chega a ser abominável. Mas é justamente dele que surge nossa protagonista, Artemísia.

Artemísia é uma guerreira assombrada por antigas amarguras geradas devido à influência do Clã na sua vida. Ela é tão infectada pelo machismo do qual foi vítima, que acaba reproduzindo pensamentos machistas (qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência). Na história, acompanhamos sua eletrizante trajetória em busca de aprendizado, entendimento, autoconhecimento e remissão. E quando digo “acompanhamos”, é porque acompanhamos mesmo. 

A narração da autora nos permite imergir na história e ficar lado a lado com a protagonista durante cada desafio enfrentado, cada etapa de evolução da personagem. Preciso citar que os eventos ocorrem sem enrolações, é uma narração bastante prática e ágil. Algumas pessoas podem estranhar no início, mas ao pegar o ritmo, é alucinante.

Uma das coisas que mais gostei é que: quando você acha que não será surpreendido, você é surpreendido. Meu conselho: guarde seus julgamentos sobre determinados personagens. Sério. Nem sempre as coisas são o que parecem.

Outro fato interessante e diferencial sobre a obra é que, embora se passe num mundo futurístico, não recorre aos clichês que envolvem esse tema. A tecnologia avançou muito, sim, porém, não há toda aquela típica loucura de engenhos mirabolantes – com exceção dos humanoides (androides e ginoides) –; eles estão presentes na trama, mas são inseridos de modo natural e pouco fantasioso.

Os contextos históricos e culturais apresentados também são dignos de atenção, pois a autora cria fatos muito bem construídos que sustentam a história do começo ao fim. As questões sociais apresentam valor semelhante. Há uma verdadeira aula sobre como somos e como poderíamos ser se nos desprendêssemos de nossos preconceitos. A abordagem do livro vai além da desigualdade entre gêneros. Nós, seres humanos, somos colocados em discussão, expostos, julgados e analisados. A beleza e a abominação da humanidade se espalham através do enredo e trazem ensinamentos importantes ao leitor. Lê-lo é se permitir a abrir a mente e expandir seus horizontes. 

Lê-lo é se desconstruir. Eu sinceramente recomendo esse livro. E recomendo também que você o recomende para outras pessoas, e que esse ciclo se perpetue. São de obras assim, que mesclam aventura e fantasia com a realidade, que nos apresente um entretenimento e ao mesmo tempo trate de temas que precisam ser debatidos, tudo de forma equilibrada, sem se perder em um dos lados. São de livros assim que precisamos!


8 comentários:

  1. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderExcluir
  2. Resenha sensacional! Mto obrigada, Elielton! ❤ ❤ ❤

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Que bom que gostou Franélia. Nós é que adoramos ler o seu livro.

      Excluir
  3. Oi Elielton, parabéns e seja bem vindo, já gostei da forma como você escreve.
    Nunca tinha ouvido falar desse livro e me parece que a trama é bem estruturada, gosto quando o livro passa essa confiança. Fiquei interessada pela obra.
    Beijos
    Quanto Mais Livros Melhor

    ResponderExcluir
  4. Oi, Elielton! Tudo bem? Adorei a capa do livro e sua resenha ficou muito boa. Parabéns! <3

    Abraço

    https://tonylucasblog.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
  5. Olá! Tudo bem?

    Adorei a capa e sua resenha ficou sensacional! Adoro cenários fictícios, mitologias e conhecimentos sobre novas culturas. Saber que além de tudo isso, o livro ainda envolve reflexões, me deixa mais entusiasmada.

    Beijo!

    apenasumaleitura.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Obrigada pela Visita,

      Que bom que gostou do livro. Tenho certeza que se você ler vai amar.

      Excluir