Resenha: Proibido - Tabitha Suzuma

Ela é doce, sensível e extremamente sofrida: tem dezesseis anos, mas a maturidade de uma mulher marcada pelas provações e privações da pobreza, o pulso forte e a têmpera de quem cria os irmãos menores como filhos há anos, e só uma pessoa conhece a mágoa e a abnegação que se escondem por trás de seus tristes olhos azuis.Ele é brilhante, generoso e altamente responsável: tem dezessete anos, mas a fibra e o senso de dever de um pai de família, lutando contra tudo e contra todos para mantê-la unida, e só uma pessoa conhece a grandeza e a força de caráter que se escondem por trás daqueles intensos olhos verdes.Eles são irmão e irmã.Com extrema sutileza psicológica e sensibilidade poética, cenas de inesquecível beleza visual e diálogos de porte dramatúrgico, Suzuma tece uma tapeçaria visceralmente humana, fazendo pouco a pouco aflorar dos fios simples do quotidiano um assombroso mito eterno em toda a sua riqueza, mistério e profundidade.

ISBN-13: 9788565859363
ISBN-10: 8565859363
Ano: 2014 / Páginas: 304
Idioma: português
Editora: Valentina
Classificação:






Desde o lançamento do livro proibido senti vontade de lê-lo. Naturalmente, a vontade veio após eu ler algumas resenhas, e saber que o enredo se tratava de um romance mais que proibido, na realidade, se tratava mais do que isso. Era algo, que qualquer sociedade abomina: um romance incestuoso entre irmãos. Falar de um assunto desse tipo é complicado, as pessoas logo fecham a cara, e muitos dizem que jamais leriam esse tipo de livro. Não sei ao certo se gostei ou não do enredo. No entanto, ele prendeu minha atenção do começo ao fim.

Proibido é narrado em primeira pessoa pelos irmãos Lochan, de 17 anos e Maya, de 16 anos. Os capítulos são intercalados pelos irmãos, ou seja, o leitor terá a visão do enredo por ambos os lados, tanto o de Lachan quanto de Maya. Eles ainda têm mais três irmãos menores: Kit o típico irmão problema de treze anos, Tiffin de dez anos que ama jogar futebol e a pequena Willa de cinco anos.

Lochan desde cedo teve que tomar para si a responsabilidade de cuidar de todos os seus irmãos, já que seu pai foi embora e casou-se novamente e nunca mais pensou na família que deixou para trás. A mãe, uma mulher que não aceita que está envelhecendo e alcoólatra mal fica em casa, a desculpa é o trabalho, porém ela está troncando seus filhos por amor a um homem.

Por ai percebemos que essa família não tem estrutura, mesmo Lochan querendo cuidar, ele na verdade é apenas mais uma criança. Maya mesmo com pouca idade, junto com seu irmão Lochan passam a cuidarem dos irmão menores. E assim passam a serem os pilares de sustentação para a pequena família.

A convivência entre os dois jovens se torna mais íntima, o carinho de irmãos vai dando lugar para o primeiro amor. E em poucas páginas, o leitor acompanhará a paixão entre um homem e uma mulher, que por fatalidade da vida são irmãos.

Desde do ínicio Lochan mostra sinais de depressão, de timidez exagerada (ele tinha um sério problema de não conseguir se comunicar com pessoas que não fossem de sua família). Sua salvação era sua irmã.  Maya também sofria, mas não da forma como seu irmão, e após o envolvimento entre eles podemos perceber ainda mais como Lochan sofria com aquela situação.  Ele se condenava por se deixar amar e por amar de uma forma que a sociedade jamais aceitaria. Ao mesmo tempo em que amava ele repudiava aquele sentimento, todavia com as insistência de sua irmã ele acabou cedendo. 

Maya, sempre viu seu irmão com outros olhos ( só que ela não entendia aquele sentimento) e depois de acontecer o primeiro beijo, foi que ela passou a entender. Enquanto, seu irmão lutava contra aquele amor, para ela era normal, era lindo e tinha que ser vivido. E com essa atitude, ela só colocou mais carga nas costas de Lochan. 

Porém o amor entre eles falou mais alto, para a sociedade eles eram apenas irmãos. Mas, a noite quando todos dormiam, eles eram apenas Lochan e Maya dois amantes completamente apaixonados...



O que falar de um livro que aos meus olhos se tornou muito complexo? Após a leitura, tentei colocar os meus sentimentos em ordem e por várias vezes fiquei refletindo se o que Lochan e Maya sentiam na verdade não era um reflexo das responsabilidades de cuidar de uma família desestruturada, dessa camaradagem de está no mesmo barco, compartilhando os mesmos sofrimentos e angústias. 

Mas por outro lado, pensei: Se realmente fosse amor? E se o que eles sentiam, era um sentimento verdadeiro? ( se é que vocês me entendem) Porém, não consegui achar respostas. A questão de serem irmãos dificultou totalmente a minha consciência de achar que aquele sentimento é verdadeiro, é correto e normal. Na sociedade em que vivemos, somos criados para saber que entre irmãos só deve existir um único tipo de amor ( típico entre irmãos) e nada de contatos íntimos que lembrem desejos carnais. Não falo somente da nossa cultura, mais de várias culturas que pensam da mesma forma.

Proibido não fala somente de amor entre irmãos, mas a batalha de manter a família unida custe o que custar. Em uma de suas entrevistas Tabitha Suzuma, respondeu o motivo do porque ter escrito um romance que dividiria opiniões:

Queria apenas escrever sobre uma história de amor definitivamente proibida! Uma relação inaceitável não somente pelos os personagens da família, pelos amigos.  Queria escrever sobre um amor condenável universalmente! E também quis dar ao leitor a oportunidade de pensar quão instantaneamente condenamos as pessoas que quebram tabus sem saber das circunstâncias que as levam a fazer isso. Não estou pedindo que decidam se incesto deve ser legal ou ilegal, certo ou errado. Apenas quero encoraja as pessoas a manterem suas mentes abertas.
http://www1.folha.uol.com.br/ilustrada/2014/09/1511535-britanica-tabitha-suzuma-romanceia-sua-experiencia-com-depressao.shtml

Ao ler o que a escritora respondeu sobre o motivo de escrever um livro assim, não sei se concordo com a ideia dela. Mesmo ela não fazendo apologia ao incesto, existe nas entrelinhas que ela deseja que sociedade tenha a mente aberta para isso. Sinceramente, hoje a sociedade repugna envolvimento entre irmãos. Não sei futuramente, mas volto a dizer que isso é muito complexo, é muito difícil de opinar sobre isso.

Ainda tenho dúvidas se amei ou não o enredo, apesar de que em algumas partes me emocionei muito. Como eu disse antes; é um livro complexo, mas ao mesmo tempo simples. A história foi muito bem escrita. Não tem como não notar a inocência dos protagonistas mesmo em atitudes carnais. O livro é belíssimo, dá até para lançar outro livro só com os quotes que retirei dele; são verdadeiras reflexões.

A editora fez um bom trabalho, tanto na capa quanto a diagramação. Mesmo depois de um mês após a leitura ele ainda é um enorme ponto de interrogação.  E o final, a meu ver não tinha como ser diferente, eu não imaginava outra saída. O único problema é que logo no final você vai sentir uma rapidez de acontecimentos. E isso me incomodou muito, já que no inicio a autora escreve quase detalhadamente todos os sentimentos e situações.  
  
Vou finalizar minha resenha, com uma sensação de que eu não escrevi o que eu realmente cria. Mas, ao reler minhas palavras, percebi que a resenha foi o reflexo da minha experiência com o livro. É um enredo curioso, romântico e conflitante.




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